Archive for the ‘txt’ Category

seventeen

December 23, 2010

Eu estava para escrever esse post desde que vi alguém que em um instante me levou anos atrás. Na verdade, eu poderia tê-lo escrito na mesma noite. Porém decidi escolher as melhores palavras possíveis pra dizer tudo o que eu queria dizer da maneira mais clara possível antes que o ano se acabasse, obviamente com um dicionário de sinônimos em mãos para pegar as que me fizessem soar o mais inteligente que pudesse. Eu literalmente vi alguém, e foi só isso. Não falei nada, e se não fosse o inglês na mesma turma, nenhum de nós dois sequer teria ouvido a voz do outro até então. Provavelmente, e por minha culpa. Naquele tempo eu nem fazia esforço pra tentar não ser tímido e quieto. Sendo franco, não lembro exatamente a data, não sem olhar na pasta do curso ou algo do tipo. Fora isso? Eu me lembro de tudo, e é o que importa.

Lembro de quando a vi pela primeira vez. Lembro de ter pensado que ela era a garota mais linda que eu tinha visto em toda minha vida. Lembro que raramente tentava evitar com que meus olhos imediatamente procurassem os dela, ou mesmo que nela se fixassem enquanto a via distraída ou prestando atenção na aula, e lembro de como eu não sabia disfarçar quando nossos olhares de fato se encontravam, de como não sabia fazer nada além de fingir estar anotando alguma coisa, nervoso, após ver o sorriso que ela dava assim que isso acontecia. Se eu procurasse a data nas pastas, veria os rabiscos perdidos nos cantos das páginas de todas as vezes que isso aconteceu. Aquelas horas ali eram as únicas horas das minhas tardes em que eu não tinha sono, mas eu não conseguia acreditar que eu não estava alucinando quando a via sorrir.
Lembro de quando fui à aula pela primeira vez sem boné, já que o mesmo havia sido roubado quando voltava pra casa na aula anterior. Naquela idade o boné era praticamente parte de mim, e eu ficava me perguntando o que ela acharia do visual. Até me olhei no reflexo dos vidros de cada carro pelo caminho. Lembro de vê-la quase toda vez esperando uma amiga no banco ali em frente, na hora da saída, enquanto tentava fazer parecer que eu realmente precisava esperar alguma coisa ali. Geralmente jogando conversa fora nas escadas com um cara que saiu no dia após o furto do meu boné. Paranoia irrelevante. Não é como se eu fosse segui-las depois, só queria ficar ali o máximo que pudesse.
Lembro de vê-la caminhando até lá, também, quando eu passava de carro ali perto. Aceno meu, vidro, sorriso dela. Até me perguntei uma vez se oferecia carona, mesmo sendo passageiro da minha mãe, mas esse encontro sempre acontecia no último quarteirão… E outra, a motorista era minha mãe. Se até hoje sei que ela tem a habilidade de me envergonhar, imagina na época quando tinha uns 14 anos? Esse trabalho eu já fazia bem por mim mesmo, lembro de que qualquer coisa dita sobre mim em voz alta perto dela já fazia meu rosto corar. Era como se ela ficasse sabendo de alguma coisa sobre mim que eu não tinha contado e que ela não havia descoberto por convivência.

Lembro até que foi em uma daquelas aulas que eu assisti meu primeiro episódio de Friends, “The One With All The Resolutions.” Depois disso nem sei mais quantas vezes assisti todos episódios, só sei que as consequências disso foram a compra de todas as boxes e esse meu vício em seriados que desconhece um fim. Nunca decidi uma meta, um objetivo desses pro começo de mais um ano. Mas sei que desde aquilo tudo eu já andei um longo caminho.

Só quem sabe como é o quebrar de uma onda dessas entende o que é lembrar de tudo isso em um segundo, e como por vários momentos a seguir se fica desconcertado.

E é um aceno e um sorriso meu, um aceno e um sorriso dela.

sixteen

September 19, 2010

Mãos sozinhas são desajeitadas. Não é andar que faz com que elas sejam assim, é até pior quando você senta. Em pé você pode colocar pelo menos uma delas no bolso, ou na cintura. É, o natural é deixá-las penduradas nos seus braços mesmo, paralelas ao corpo. Só que quando não se está fazendo nada, você acaba reparando que suas mãos estão ali, ociosas. E em tentativas desesperadas de tentar dar tarefas para suas próprias mãos, você só acaba se desapontando.

Dá pra coçar a barba, ou a cabeça. Algumas garotas brincam com o cabelo. Algumas pessoas roem as unhas, isso também é uma atividade reserva pras mãos. Estalar os dedos, o que aliás, não engrossa porcaria de junta nenhuma. Não torra o saco e ouve o barulho aí. Dá pra tamborilar os dedos em alguma superfície ou mesmo no joelho. Sentado não dá pra colocá-las no bolso, não parece certo. Levantá-las só dobra os problemas, meus sinceros pesares pra quem vive louvando aos seus deuses. Isso em um ângulo de 180 graus. Se for 90 graus, só serve se você for uma múmia ou zumbi. Pelo menos eles não precisam pensar no que fazer com as mãos, seus cérebros já se degeneraram, ou ao menos estão no processo. Urrrrrrrrghhhhhhhhhh. Incoerência onomatopéica.

No metrô quase sempre me apoio em alguma das barras, mesmo que eu já tenha adquirido a habilidade de ficar em pé ali. E ainda assim não consigo descobrir daonde é que sai aquele tanto de graxa. Todo dia que eu pego o metrô eu acabo com graxa na ponta de uns dois ou três dedos. Pensei que fosse no canto das barras, nas junções. Todo dia eu tenho que lavar ou acabo parecendo um engraxate. Acho que engraxates nem existem mais, antigamente as praças da minha cidade natal eram cheias deles. Agora provavelmente ninguém para mais pra alguém engraxar os sapatos com medo de ser assaltado. Ter um dos sapatos roubados deve ser até pior do que a carteira toda, mas deve ser engraçado pra caralho. Quando não acontece com você, claro. É uma desgraça que não tem problema de dar algumas risadas, até quem sofre um assalto do tipo acaba perdoando. Trombadinha de sapatos. Enfim. Não dá certo não ser aleatório, continuo indo de assunto à assunto.

Não é como se fossem as pernas. Suas pernas estão sempre te sustentando, exceto quando estão em repouso. Superman não conta, ele não é daqui. Você anda, suas pernas são as responsáveis. Suas mãos são levadas junto com os braços, por razões de equilíbrio, eu acho.  Quer dizer, dá pra andar com elas coladas no corpo, mas te faz parecer um imbecil. Não é um problema para, sei lá (fingindo que não tenho isso na ponta dos dedos), o bom e velho cabeça de teia, Spider-Man. Tá certo que ele não tem os oito membros de uma aranha, mas ele vive com os quatro ocupados. Já o Peter Parker sofre do resto, e sabe do que eu estou falando. Assim como o Doc Ock.

Uma mão só não é problema. Desde que você encontre algo pra fazer com uma delas, a outra deixa de ser um mero reflexo. Uma irmã, parte da simetria padrão do nosso ser. Mantendo uma ocupada, a outra pode ficar ali pendurada sem problema algum.

Talvez seja esse um dos motivos pra que duas mãos diferentes sejam tão bem feitas uma pras outras. Talvez seja por isso que dedos se entrelacem tão perfeitamente.

Acho que o mais estranho desse post é a combinação que acabou resultando nele, ouvir Explosions In The Sky enquanto lia XKCD. E sim, aqui as peças do quebra cabeça sempre acabam se encaixando, acabei de relacionar dois posts.

Talvez isso aconteça porque a cabeça quebrada é a minha.

pre-sixteen

September 18, 2010

Poisé. Seja quando eu digo em algum post “ainda hoje apareço pra escrever alguma coisa” ou quando nem apareço pra isso, pelo menos um rascunho eu acabo salvando. Fico pensando se algum deles tem validade, se vai chegar um dia que eu não vou conseguir escrevê-lo por ter se passado tanto tempo que ele tá ali de molho que acabou morrendo.

Hoje vai ser diferente, já estou no meio de um post e pretendo terminá-lo, aí posso retomar a maratona de Terminator que decidi fazer hoje. Chuck tá voltando e a Linda Hamilton vai aparecer. E eu tava entediado no ônibus pra cá. É, eu tenho trilogias antigas perdidas no HD. Acho que vou acabar revendo The Sarah Connor Chronicles também, mas aí já é por outra razão. Só tenho medo de acabar querendo rever Firefly. É tempo que não tenho.

Esse post fazia parte do outro, mas acabei cortando ele fora por não ter conseguido colar os dois. Estou tentando ser menos aleatório, mas ainda acho que é impossível. E também pra não ter outro daqueles posts com mais tags do que palavras.

fifteen

September 13, 2010

Hoje arranjei o app pra Symbian que faz scrobble pro last.fm e é compatível com o meu celular. O único motivo de eu ter deixado o meu de lado (dessa vez, já parei de usar um antigo e resetei esse mais novo) foi o fato de estar cada vez menos ouvindo música na frente do PC. Antes era o dia inteiro, e como eu não era adepto do uso de fones, enlouquecia a família até. Sou quieto, mas faço barulho. Geralmente quando paro na frente do PC agora é pra assistir alguma coisa antes de dormir ou, mais raramente ainda, jogar alguma coisa.

Eu já estava brincando no Torchlight nas horas vagas, agora tem o StarCraft II pra dividir o timeslot. Tenho que admitir, isso tá me lembrando quando eu era pequeno e tive que lidar com malabares. Não na rua, pedindo esmola no sinal, não é pra parecer dramático. Enfim. Com dois malabares ia, três dava um pouco de trabalho. Qualquer coisa acima disso era virtualmente impossível, eu tentava umas poucas vezes e deixava pra lá. É o que tem acontecido com todas as coisas que eu decidi voltar a fazer de uma vez, pra ocupar o vazio deixado pela minha falecida existência virtual, aquela que sugou minha vida uns anos atrás. Tenho mãos pra fazer algumas, as outras tenho que manter no ar, e sempre trocando os lugares.

É por isso que acabo deixando pra escrever com menos frequência aqui. Só que dessa vez, eu não vou desistir. Vou continuar trocando e fazendo o que minhas mãos conseguirem segurar. Até equilibro alguma no nariz, se precisar. O resto fica no ar. Dou um jeito. É algo que dá pra aprender a fazer.

Falando em aprender (e fingindo que eu não encaixei o aprender ali pra ligar esse post com alguns assuntos que estão perdidos nos drafts), tenho uma dificuldade absurda em ensinar muita coisa. Antes eu pensava que era dependendo da pessoa, quando eu não tinha paciência pra ensinar nada pra qualquer um dos meus pais, porém conseguia ensinar alguém a fazer alguma coisa no videogame ou algo do tipo. Eventualmente acabei descobrindo que eu realmente não sei ensinar.

Quando eu aprendo alguma coisa, todo o conceito, o funcionamento, tudo, ficam óbvios demais, assim como aquelas regras gramaticais ficam escondidas em algum lugar do cérebro que eu não consigo acessar, elas só executam suas funções automaticamente. O que acaba encurtando a minha paciência, e é aquilo que vive me deixando à beira de um duh. Não o digo por duas razões, uma delas é simplesmente por achar imbecil. Prefiro falar que a pessoa é burra pra caralho, na brincadeira, do que usar o desprezível duh. A outra é porque sou paciente, mas tenho lá minhas terapias.

Já ouvi em algumas (poucas) ocasiões que eu explico melhor que algum professor, e eu achava isso completamente bizarro na hora, justamente por saber que isso não é nem de longe verdade. O problema mesmo é quando alguém faz uma daquelas perguntas idiotas que não tem nem como responder, a única resposta é porque é assim. Porque algumas letras são maiúsculas nisso aqui? Porque o código é pra baixo duas vezes, pra cima, esquerda, direita, bolinha, triângulo e quadrado? Porque é assim, porque quem fez quis que fosse assim.

São perguntas desnecessárias, porque você já entende perfeitamente a razão de certas coisas serem da maneira que são. Mas existem explicações que ajudam a entender melhor pras duas perguntas anteriores, é só pensar um pouco além. Claro, é dezenas de vezes mais fácil falar aqui. Na próxima vez que eu for explicar alguma coisa, é bem provável que eu acabe caindo naqueles momentos em que você tenta dizer algo coerente mas acaba falando um bocado de és e ahns.

Paciência é uma virtude, esse é aquele velho ditado.
Nos dias de hoje, é mais uma das virtudes que são raridade.

É O3, no meio de um mundo cheio de pessoas que praticamente exalam CH4. Metaforicamente.

fourteen

September 11, 2010

Foi meio que uma daquelas pausas.

Queria ter ido no Burger King hoje, errei a porcaria do shopping e tive que ficar com o velho McDonald’s. Ainda gosto dele, mas é como se eu tivesse traído alguém. Não a mulher dos meus sonhos, mas a fast-food chain dos meus sonhos. Não que seja realmente a dos meus sonhos, mas adicionar um ‘que tem filiais no Brasil’ é ser específico demais. Enfim.

Tava só de passagem, na verdade, e como não sou motorista ainda… Aliás, sei que sou motorista nato, então foda-se. Como não tenho carteira ainda, não rola de levar pra viagem. E quando se está sozinho, tudo o que tem pra fazer além de encarar pessoas enquanto comem, e claro, da explosão de sabores na sua boca, é se entreter com o papel da bandeja.

É bem trabalhoso, na verdade. Só pra começar, é melhor já deixar o refrigerante de fora da bandeja. Aí ficam as batatinhas que tentaram fugir da morte certa no caminho, formando uma aliança com a caixa do lanche (ou caixas), os guardanapos, e dependendo do quão estabanado você é pra comer, fragmentos de lanche. Tirados os obstáculos, geralmente é algo que serve pra perder uns cinco minutos lendo. A da vez era um dos tipos de amigos/que tipo de amigo você é. Sei que não é nenhum tipo de artigo científico de psicologia (supondo que boa parte dela não seja uma grande pilha de merda), mas mesmo assim, existem pessoas que são só um dos tipos que estão retratados ali. Mesmo aplicando Shrek e a teoria das cebolas/várias camadas.

Você se orgulha de ser fútil? Superficial? Meus parabéns, você é um babaca. Ou uma babaca. É gênero, número e grau me dando trabalho hoje pra escrever alguma coisa aqui. Gimme a fucking break.
Vale também pra convivência com alguém assim, além do que se deve respeito à educação.

Limitei a três pra não ficar muito zoado e escolhi uns pra mim.
O alienígena, o malemole e algum outro aí. Quem conhece, sabe. Parecem nomes de cartas de tarô.

Moral da história? Grow the fuck up. Ou a versão mais divertida da mesma lição: “Nut up or shut up.”

Caí no dilema do gênero, número e grau outra vez. Oh shit.

thirteen

September 6, 2010

Não sei, tenho um draft salvo com a palavra misantropia e tudo o que escrevo aqui, hoje e agora, acaba soando como se fizesse parte daquele post. Aí eu pergunto, o que tem de tão bom assim em pessoas? São seis bilhões delas no mundo, arredondando pra baixo a estimativa que lembro de cabeça. Não quero mesmo pesquisar agora, e não é como se tivesse um contador rolando na página do Google pra isso. Países asiáticos tornam isso inviável. Enfim. A quantidade de pessoas que você conhece que realmente são, no mínimo, agradáveis, é ínfima. E muitas das quais você conhecia, hoje te dão razões pra querer que elas não apareçam mais na sua frente. Todo mundo conhece uma dessas, não é algo exclusivo de antigos romances, apesar desses constituírem a maioria dos casos. Até aqueles amigos antigos que você vive encontrando pela rua, e por mais que você saiba que vocês eram amigos mesmo, o tempo passou. Só restam agora as convenções sociais e os papos de vamos marcar alguma coisa que raramente dão certo. Não vou dizer nunca pra não acabar com as esperanças de ninguém. Existem sim, bons reencontros. Não são mitos. Sendo realista, grande parte deles você vai passar ouvindo/falando como vocês cresceram, mudaram, como um antigamente batia na altura do ombro do outro, usava óculos e era cheio de espinhas.

Fazer social só serve pra quem é político ou obcecado com popularidade, e a internet é a casa de todos attention whores. Ser popular na escola e ter quinhentos amigos no Orkut (ou qualquer outra rede social) é basicamente a mesma coisa. Quase sempre um é consequência do outro. Ser simpático? Seja com quem tem interesse em você, pelo menos pra te conhecer. Claro, não precisa ser desagradável. Não intencionalmente. Mas convenhamos, it’s almost never uncalled for.

A verdade é que as pessoas vivem forçando, querendo se espremer nas últimas modas, tendências. E na parcela dos que conseguem continuar sendo eles mesmos, boa parte acaba admirando alguém forçado. A minoria acaba ficando sem escolha a não ser desprezar meio mundo; secretamente, claro, pra não parecerem velhos ranzinzas todo o tempo.

É óbvio que perguntar se tá tudo bem com alguém é idiota, já que quase ninguém quer responder por estarem todos ocupados anunciando em tweets pra pessoas que, mesmo se inscrevendo pra recebê-los, não dão a mínima. Fico imaginando o que se passa na cabeça dessas mesmas pessoas quando se acidentam, quem pensa em alguém em primeiro lugar e quem pensa em informar o mundo por status updates. Conheço dos dois tipos, por isso digo que fico imaginando. Até mais pelo fator cômico.

Why do I care? Tem um errinho aí. Eu não me importo.

Eu não sou preconceituoso, mas não nego ser bastante anti-social.
O mundo me dá razões pra isso, eu não as invento na minha cabeça. Isso aqui é apenas um manifesto da minha opinião.
Don’t get me wrong, não sou tão escroto a ponto de não gostar de ninguém. Até faço questão de fazer com que elas saibam disso.

Só pra deixar isso claro.

É. Comecei a escrever esse post em cima de algumas palavras e as ignorei completamente, acabo de recortá-las e vou jogar em outro draft. E o número do título desse post acaba se relacionando com algo que eu queria falar sobre em outro draft. Vicious circle.

twelve

September 4, 2010

Por alguma razão, é importante que eu comece o post dessa vez já avisando que não tenho postado com tanta frequência nos últimos dias por estar adiando o post do segundo dia de Setembro. A razão pela qual estou adiando o post é que apesar de eu não dar tanta importância assim pra minha data de nascimento, é um dia que de uma forma ou outra, tem mais chances de significar algo mais do que os dias normais. Afinal, é um dia em que pessoas lembram de você e te desejam boas coisas. Essa é uma regra da qual exceções eu desconheço. Acredito que até assassinos em série, políticos, terroristas, traficantes, bandidos, ditadores, vilões e até mesmo monstros, tenham alguma pessoa em suas vidas que as deseje boas coisas. Não posso dizer o mesmo do resto dos dias, em que elas são provavelmente apenas odiadas, e a única coisa desejada a elas seja a morte.

Enfim, esse aviso é importante tanto pra quem lê o blog quanto pra mim mesmo. Talvez até mais pra mim do que pra qualquer outra pessoa.

É, eu prometi a mim mesmo que não ia deixar isso de lado. Preciso de algo que eu possa ter certeza de que consigo fazer, sozinho, minha vida toda. E essa coisa é pensar, e de alguma forma, retratar os pensamentos. Uns viram desenhos, outros um bloco de texto. Talvez música. O motivo é simplesmente me ensinar a não deixar de terminar o que comecei. É uma coisa que todo mundo deve saber. Tá certo que isso é só um blog, então pode ser que uma hora eu acabe me ausentando por um bom tempo ou decidindo terminá-lo permanentemente. Só que ao contrário das vezes que eu simplesmente deixo algo de lado, não pretendo fazê-lo sem deixar alguma notificação de algum tipo. Não posso prometer que direi os motivos, e nem que direi aonde estarei indo/poderei ser encontrado. Vai que chegue o dia em que precisarei desaparecer do mapa e fugir das autoridades? Mas não vou deletá-lo, mesmo se esse for o caso. Não é de grande ajuda. A não ser que eu consiga provas definitivas de que ele não acabou sendo armazenado em algum outro lugar. Se não tiver sido, retiro o que disse, vou deletar. E deixo aqui um pedido adiantado de desculpas por desapontá-los.

Também tenho tido algumas outras coisas um pouco mais importantes pra fazer do que postar aqui,  e uma delas tem relação direta com o post do aniversário. É um desenho, na verdade. Mas adiciona aí na lista uns livros, sendo que só um deles não é pra faculdade, meus calvins & hobbies, responsabilidades e etc. Então é possível que eu acabe deixando pra falar dele noutra ocasião e ignorá-lo pra postar outras coisas, como estou fazendo agora. Assim não fica com cara de abandono. Até porque abandono, na minha velocidade, é como se fosse uma avalanche. Igualmente destrutivo. Se eu não der um jeito de impedir, acaba soterrando tudo. Aí cai no esquecimento, já que quase ninguém é resgatado a tempo mesmo. Aliás, quem sobrevive à catástrofes tem espaço garantido na Reader’s Digest. Meu avô assina e eu acabo herdando um punhado delas quando vou pra lá, gostava de ler os flagrantes da vida real.

Não tenho deixado de fazer as anotações e tenho uns quatro ou cinco drafts salvos, though.

De qualquer forma, esse é o primeiro post que escrevo com 20 anos.

I feel the same. Tired.

Ah, criei uma outra categoria também. Logo vou postar algumas merdas nela.
Um bom final de semana/feriado a todos.

ten

August 30, 2010

Tive uma conversa que já se repetiu duas vezes sobre o Leonardo DiCaprio. Eram sobre os filmes que ele faz, a carreira do cara que eu considero um dos melhores atores da atualidade. Say what you want, é a verdade. The Man in the Iron Mask, Catch Me If You Can, The Departed, Shutter Island, Inception. Isso só pra citar alguns dos mais conhecidos, e claro, os que eu já vi. Enfim, a intersecção dos dois. Tem outros bem falados dele que eu não tive a oportunidade de assistir ainda. E um deles que eu nunca assisti e provavelmente nunca irei: Titanic. Não é implicância, por alguma razão não tenho a mínima vontade de ver mesmo. Talvez alguém me convença um dia, até lá, eu sei o que acontece, sei os detalhes e sei a história. Não assisti o filme, só isso. Claro, eu poderia ter assistido na época. Mas eu ainda era um pirralho de ego frágil, e o fato de todas as garotas (que eu conhecia) estarem apaixonadas por ele, é, incomodava. A diferença que isso faz agora? Nenhuma. Tanto que gosto de todos os filmes que citei logo ali, são todos dele, e a atuação é impecável. So, why bother?

Meu aniversário tá chegando. Outro ano se passou desde que eu nasci, that’s the big deal. I’m the big deal. Ironicamente, eu não gosto de aniversários. Tenho uma pequena paranoia de que tudo o que se passa no dia vai anunciar pras pessoas ao meu redor que é meu aniversário. E que elas vão se importar com isso. Nunca gostei de ser o centro das atenções. Flashes de câmeras apontadas pro meu lado. Prefiro passar despercebido pela maioria das pessoas mesmo. Prefiro o lugar na memória de alguém importante pra mim do que um milhão de fotos jogadas em um álbum. Sem o lugar na memória, eventualmente todo mundo que só aparece em fotos vai acabar sendo alvo de um ‘não lembro quem é esse cara.’

Aos parabéns eu não sei como reagir, pelo menos quase sempre agradeço na hora errada, aparentemente. Porque assim que agradeço, ninguém para de falar. Continuam com as congratulações e eu tenho que vestir minha cara de tacho. Então aniversário pra mim é sinônimo de awkward phone calls. Gosto do carinho e tudo mais. E o resto não acontece. Quando eu passo o RA na faculdade ou compro alguma coisa no supermercado, não estoura um balão com confetes, doces e farinha na minha cabeça. Não toca música, muito menos vira um musical. Pessoas não se reunem em um círculo pra cantar parabéns. É um dia normal, como todos os outros.

Ah, isso aqui sou eu tentando convencer a mim mesmo de que nada vai acontecer.

É, fobia de aniversários. Eu até cheguei a procurar se realmente existia um nome pra ela, mas não achei nenhuma fonte confiável, e inventam nome pra tudo hoje em dia. Aparentemente, ela se chama Fragapane phobia. É. E não chega a ser uma fobia o que eu tenho, de qualquer forma. Não saio chorando ou entro em pânico. Só fico sem jeito. Está mais pra um leve odiar do que qualquer outra coisa. Li uma analogia excelente em algum lugar. Aniversário, pra quem é como eu, é tipo final de campeonato de futebol ou réveillon pra cachorros. É um dia que todo mundo conspira pra te dar uma dor de cabeça fodida. Se tiver um festival de fogos no dia do meu aniversário eu provavelmente me escondo embaixo da cama.

Acabei pensando nisso durante o meu domingo. Acordei cedo, sozinho em casa. Levantei pra tomar um banho e fazer um café da manhã. O dia tava cinza, mas um cinza de poeira. Não cinza de tempestade ou chuva. Nem sequer uma garoa. Preciso voltar a sair aos domingos, como costumava fazer.

Recentemente voltei a dormir durante a noite. Tenho que admitir, é muito melhor que dormir durante o dia. Já passei pela fase morcego, que durou no mínimo uns três ou quatro anos. E tenho que admitir, é muito melhor passar a noite acordado do que o dia. Isso me coloca em uma situação bizarra, já que meu lugar ideal pra morar seria uma mistura de New York com o extremo hemisfério norte, com pouquíssimas horas de dia, e alguma daquelas províncias/vilas quietas da Irlanda nos arredores. Um toque de Nova Zelândia, talvez.

Mundo dos sonhos. Ainda encontro Magrathea quando sair pra viajar pelo Universo afora.

Não é engraçado como um dos jeitos de se remediar do tempo seco é ter uma toalha molhada por perto?

nine

August 28, 2010

Ocasionalmente acabamos nos perdendo no caos das palavras. Sejam elas nossas ou de alguém.

Na maioria das vezes, isso não é bonito. Não é nada, na verdade. Não se escrevem sinfonias com notas aleatórias espalhadas pela partitura. São manchas de tinta. Palavras existem pra serem usadas com uma certa maestria. E eu, com toda certeza, não sou maestro nenhum. I’m just a guy holding a couple of sticks. Palavras são só palavras, uma simples associação com um significado escrito em um dicionário, essa é a visão fria do mundo. É como se você ligasse a visão térmica dos seus óculos e não conseguisse distinguir nada ali. Tudo preto, tudo azul. Nem sequer um fiapo de verde, muito menos amarelo, laranja ou vermelho. Quando associamos uma palavra ou uma frase a uma emoção, as coisas mudam de figura. Muita gente não entende o que alguém vê em poesia. Ou nas letras de uma música, por isso acabo voltando um pouco ao assunto que abordei no meu terceiro post aqui. Certas experiências da sua vida, algum momento difícil que você passou, que te fez sentir angústia, tristeza, em suma, dor, até a superação dele; ou mesmo algum momento que você não vai esquecer por ter sido perfeito.

Eventualmente palavras são associadas à emoção errada. Se obrigar a sentir alguma coisa é ridículo. É o inverso do natural, tentar entender o que alguma palavra quer dizer e se fazer sentir a definição dela. Alguém que desconhece sentimentos genuínos, como tristeza, é dito ser sociopata. Eles podem até aprender como parecerem estar tristes, mas não funciona de verdade.

Existem as palavras certas pra quase tudo, se ditas de maneira convincente. Por maneira convincente entenda que isso pode ser feito de duas maneiras. Uma delas é por meio de manipulação, a outra delas é quando são ditas verdadeiramente. Either way, elas surtem seu efeito, certeiro. Podem ser até as sete palavras que farão uma garota se apaixonar por você. Sim, tirado d’O Nome do Vento. Dá pra entender onde eu quero chegar.

Qualquer pessoa que saiba ver o mundo tanto como ele é como poderia ser, e que saiba dar asas à imaginação, sabe desenhar e pintar. Qualquer pessoa que conheça alguma língua, pode ser até a da música, e conseguir tocar as próprias emoções sem medo de se machucar, sabe se expressar.

eight

August 28, 2010

Por incrível que pareça, um blog faz parte do rumo novo que tenho tomado pra minha vida. Na verdade isso é uma merda, já que eu preferia milhões de vezes estar escrevendo sobre a vida em correspondências para alguém que gostasse de falar sobre qualquer coisa e sobre nada em particular, e não em um lugar público na internet. Porém, ao invés disso, tenho que me contentar com as diversas conversas com diversas pessoas da mesma ou de diferentes partes do mundo. Isso acaba ficando chato quando começo a cair em assuntos parecidos em conversas paralelas. Não é como se eu estabelecesse timelines para cada pessoa que conheço, então isso acontece.

Não faço amigos rápido, essa é uma habilidade minha que parou no tempo. Meu nervo atrofiado. E parou lá pela década de 90, pra ser mais exato. Hoje em dia, sair por aí, sentar em um canto com meus brinquedos e acenar pra quem olhar na minha direção não é uma opção. É meio que meu plano B, ainda. Funcionaria em um playground, entretanto, eu acabaria sendo preso. Todos os amigos que tenho hoje eu conheci por meio desse método, basicamente. Até tento de outras formas, nenhuma delas dá muito certo. E não é como se eu escolhesse pessoas quaisquer pra experimentar, e caso falhasse, um simples ‘fuck it’ mental resolveria tudo. Eu arrisco, e na maior parte do tempo não dá certo. Sou péssimo em primeiras impressões.

Ainda consigo conhecer pessoas, claro. Quer dizer, mais ou menos. O blog é só uma das coisas do novo rumo que tenho tomado. Tem uma outra específicamente projetada pra cuidar do problema que acabo de mencionar. Não, não é um algoritmo, nem algo representado em um fluxograma. Ainda não cheguei nesse ponto. Não é como se eu estivesse em falta deles, também. Não foi isso que quis dizer.

É algo que deriva de alguns poucos problemas menores e acaba virando isso aí. Um empecilho na hora de conhecer alguém.

Não sei mais onde queria chegar com isso. Abort mission.