Posts Tagged ‘random’

three

August 21, 2010

Ontem saí pra resolver uns negócios no final da tarde. Até aí, aconteceu o de sempre. Não é como se personagens de histórias não fizessem suas necessidades sempre, tomassem banho, escovassem os dentes, é que não se conta toda hora. E essa é a minha história. Me arrumei, peguei o que eu tinha que levar e saí de casa. Já não fazia mais o frio da tarde, dois dias e já faz falta, aliás. Enfim, saí de blusa porque não sabia se ia voltar de noite ou antes. O metrô tava vazio ainda, visto que ainda não era o finzinho da tarde. Chegando perto da minha parada, o vagão não tava cheio, mas já estava sem assentos vagos, e um cara sentou do meu lado. A namorada dele ficou em pé ali conversando com ele, eu tinha visto os dois de relance numa porta. Levantei, disse pra ela sentar e fui pra porta. Fiz a baldeação, quase perdi meu rabo na porta com o pulo de raposa. Não entendi o porque da minha própria pressa, mas também nem prestei atenção no que eu tava fazendo.

Insira onomatopeias de trilhos aqui e daquele barulho que impede quem é semi-surdo, assim como eu, de conversar. Desci, andei pra caralho por ter entrado no primeiro vagão. É engraçado quando isso acontece, sempre que eu chego na escada rolante, outro trem já chegou. Fui até o prédio da faculdade, peguei o elevador. Não sabia que a secretaria era embaixo do térreo, e o elevador tava subindo. Distraído, desci no último andar e fiquei vagando até me dar conta de que não era ali. O elevador demorou horas pra subir, e eu peguei um daqueles que faz barulhos, ameaçando cair. É divertido quando tu tá sozinho, no joke. Chegando na secretaria, vazia, sentei direto em uma cadeira. Me disseram pra pegar a senha. É. E isso tudo pra amassarem o papel e jogarem fora, deve ser alguma espécie de diversão sádica de quem fica ali. Me deram um papel e dez dias de espera, fui embora de mãos vazias.

E depois de ter contado tudo isso, é agora que chego ao ponto que eu realmente queria chegar. Coloquei os fones de ouvido ao sair do prédio e fui abordado na metade do caminho de volta ao metrô por um cara que me parecia ser boliviano. Pensei ‘eh, what the hell’, tirei os fones e ouvi o que o cidadão tinha a dizer. Tava me sentindo um pouco mal por outro acontecimento do dia. Ele começou a falar um português enrolado, colocou dois livros finos nas minhas mãos e foi falando. Ele tinha os olhos meio puxados, então quando eu vi que um deles era de yoga, resolvi perguntar daonde o cara era. Lima, Peru. Esqueci o nome dele, e não vou usar de estereótipos aqui. Mas não era Juan, nem Pablo. Eu com os livros na mão tava quase indo embora nesse ponto, e foi aí que ele começou a pedir uma doação por eles e tal, o que eu pudesse, só pra ajudar a imprimir. Isso acontece comigo sempre, eu sempre tô no mundo da lua quando alguém me joga livros ou revistas na mão, e uma vez na frente da faculdade eu fui andando embora mesmo com eles. O infeliz teve que me parar. É meio que reflexivo, visto que às vezes tu não consegue evitar pegar um panfleto na rua.

Era isso aí. Só compartilhando, é bom saber se mais alguém vive tanto no mundo da lua quanto eu. O fim abrupto da história sem nada realmente emocionante provavelmente vai desapontar quem leu tanto quanto eu desapontei o peruano ao não comprar os livros, eu sei.

Advertisements