Posts Tagged ‘são paulo’

six

August 27, 2010

Hans Zimmer Time

Tenho que admitir que escrever nos drafts algumas poucas sentenças que são as coisas que quero falar funciona perfeitamente bem. Agora praticamente tudo o que tenho pra escrever são coisas sobre as quais pensei ontem, e desse jeito eu me lembro de tudo. São como tags pras ideias. É, as it turns out, até dá pra ter uma espécie de Google na cabeça.

Ontem eu peguei um ônibus que o motorista parecia o Mr. T. Era um daqueles motoristas que não batem muito bem, correm pra caralho e cortam tudo que vêem pela frente. Jurei que vi ele mudando de faixa pra cortar em uma curva. Olha, eu ainda não tirei minha carteira de motorista, mas eu tenho certeza de que isso não é seguro. Ele até meio que disputou uma arrancada com outro ônibus quando pararam lado a lado.

Apesar de tudo, o resto foi o de sempre. Fiquei pensando no caminho, enquanto ouvia música. Janela aberta, vento na cara. California dreaming. Não sei como, mas acabei pensando em como é idiota que dois dos meus celulares não tinham opção pra tirar o volume do click da câmera. Pra que diabos? Não dá pra ser discreto e tirar fotos por aí assim. Espiões e agentes secretos já devem saber disso e passar bem longe delas. Pra mim é uma nota mental, já que eu até sirvo de espião às vezes. Não roubo ideias, mas acho que sou observador demais. Não do tipo creepy que fica encarando.

Já que toquei no assunto tags, a tag cloud vai ficar bizarra se eu continuar a marcar São Paulo como uma. Sabe quando você olha pro céu e vê várias nuvens pequenas, que na minha infância costumávamos chamar de carneirinhos? Poisé, vão ser vários carneirinhos e um absurdamente grande. Analogia completamente idiota, eu sei. Mas é menos idiota do que a tag tags.

Tenho tido sonhos mais estranhos do que o normal atualmente, e tenho anotado todos. Fazem dois meses já que anoto todos os sonhos assim que acordo. Tirando as vezes em que acordo e volto a dormir, acabo perdendo uns bons pedaços quando faço isso. Mas anoto do mesmo jeito. Porque eu mantenho um diário de sonhos? Não é pra analisar naqueles livros imbecis, é porque li sobre sonhos lúcidos e aparentemente esse é um truque para tê-los. Não deu certo, ainda. Não tive nem um sonho em que eu pudesse pelo menos fazer aquele truque do relógio ou interruptor. Aliás, pensando bem, acho que até tive recentemente. Quando sonhei com uma ligação, eu lembro de ter pego o celular em mãos, visto quem era e hesitado em atender. Não tinha relógio no canto superior esquerdo, mas era definitivamente o meu celular. Não deu pra ver o wallpaper ao certo, mas parecia algo que eu usaria. Acabei atendendo, no final das contas, mas acordei um pouco depois de ouvir o alô em resposta. Deve ter sido por isso, acho que estraguei tudo notando o relógio. Argh. Mas não tem problema, no mesmo sonho eu tinha quase morrido em um avião em queda. Lembro de ter corrido pra cabine do piloto e ouvido ele dizer “Mayday! Mayday!” no rádio. Cut scene, não sei o que veio depois, mas o avião não encontrou o chão.

Dormi de um jeito horrível também, não ajudou em nada. Tenho fé que um dia eu vá conseguir. Quem sabe eu comece apenas como alguém no mundo dos sonhos e vire o deus dele com o passar do tempo? Penso em Inception e na cena em que as pessoas estão lá, sedadas por horas a fio, já que os sonhos se tornaram a realidade delas. Acordar é um pesadelo. Não, definitivamente não quero isso. Mas me divertir um pouco na imaginação enquanto durmo não me parece uma má ideia. A princípio. Dividir sonhos é outra coisa interessante. Eu o faria, sem dúvida nenhuma. Mas se você pensar quantas pessoas você daria livre acesso a sua cabeça, parece até binário. Geralmente é zero ou um. É algo tão grande quanto ou até maior do que confiar a sua vida. Livre acesso a todos os pensamentos quer dizer que a pessoa pode descobrir o que você pensa de verdade sobre muita coisa, e todo mundo tem lá os seus pensamentos que ficam em segredo de todos. Seja o que você pensa sobre alguém ou algo que você ache que ninguém entenderia.

Still, deve ser algo muito bom de se fazer. Um mundo que realmente é todo seu, só pra vocês, e mais ninguém. Quem popularia o mundo não passaria de meras manifestações do seu subconsciente e lembranças. Isso se você quisesse que ele fosse populado. Viajar pra qualquer lugar, passar mais horas do que se dá pra contar nos níveis mais profundos do mundo dos sonhos.

Hans Zimmer se encaixa perfeitamente com essa última parte do post, só queria reiterar o quanto esse cara é bom no que faz.

Não vou revisar o post, não agora. Quando o fizer, tiro essa observação. Dei uma adiantada com o post por ter uma certa cobrança por parte de leitores assíduos. Plural. Ri sozinho aqui.
Vou tomar um banho e sair pra ver Karate Kid.

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five

August 25, 2010

Acabei pensando em tudo o que queria escrever aqui durante o dia e escrevendo uma página inteira na cabeça. É óbvio que isso não vai dar certo, já era óbvio pra mim assim que comecei a pensar, “não vou lembrar de tudo o que eu queria dizer” (disso eu lembrei), muito menos da forma que organizei nos meus pensamentos. Na hora dá pra colocar os trechos em uma certa ordem, mas eventualmente eles se embaralham todos. Uns acabam perdidos por um tempo, mas outros se perdem pra sempre. Podem até ter tido as partes importantes absorvidas, mas ele avulso? Nah. Já era. Serem esquecidos não faz deles necessariamente ruins, é que de alguma forma não é tão simples assim jogar pro seu disco rígido as coisas que você organiza na RAM, metaforicamente falando. Long-term/short-term memory. Gosto do assunto e minha vontade é um dia tentar fazer alguns exercícios que ajudem a desenvolver minha memória. Isso é perfeitamente normal, mas seria bom aprender a criar uma pasta ali só pra guardar as ideias por um tempo maior. Já falei e já ouvi diversas vezes falarem sobre andar sempre com um bloco de notas e uma caneta no bolso. O problema é que isso acabaria me dando mais liberdade pra pensar em mais coisas ainda, e não adiantaria muito, eu teria que escrever em diversas páginas pequenas. Claro, estou falando dos pensamentos que ocorrem no decorrer do dia, quando se está pegando metrô, ônibus ou andando mesmo, quando anotar é um pouco mais inviável. Não estou dizendo que sou O Pensador, também. Doistrêsquatrocincomeiaseteoito. Acabo filosofando demais sobre qualquer bobagem que me ocorre.

Memória eidética (do grego eidos, alguém lembra da produtora de Tomb Raider, Fear Effect, etc?), também conhecida como memória fotográfica, é uma coisa que muita gente quer ter. Não faz sentido não querer, aliás. Medo de não conseguir esquecer certas coisas? Isso acontece até com quem tem a pior das memórias. Lembranças, de certa forma, dolorosas, sabem muito bem como encontrar o lugar onde não serão esquecidas por um bom tempo. Um tempo que pode ser até o dia em que suas baterias se esgotarem, aí é preciso aprender a lidar com elas. Não deixar elas te comerem vivo, de dentro pra fora.

Os parágrafos anteriores inteiros vieram de um pensamento sobre anotar no bloco de notas o que vou pegar na geladeira, já que esqueço quase sempre. O que fez parte de uma conversa sobre ‘esquecer’ de necessidades como comer ou ir ao banheiro. Mas ainda aposto que eu acabaria esquecendo que tinha o bloco na mão e o deixaria dentro da geladeira. Em um dia em que eu estava completamente distraído eu deixei o controle remoto, então é bem provável. É. Tudo pode acontecer quando se está no mundo da lua. Já dizia o… esqueci. Lucas Silva e Silva. Esse nome tava perdido na memória internética, achei com a ajuda do Google. Se eu tivesse um pro meu próprio cérebro, eu tava feito.

Mudando de assunto, e queria que o assunto em questão mudasse tão abruptamente quanto, o tempo aqui em São Paulo tá ruim demais. Tá fazendo um calor absurdo de dia, sendo que quando eu saio tá um frio bom, aquele que só colocar uma blusa já resolve. O pior não é nem o calor, o pior mesmo é a umidade do ar, praticamente inexistente. Andando na rua dá até pra ver uma camada cinza cobrindo a visão ao longe, parece uma rede. É de pensar que toda essa poeira fosse se juntar e formar um híbrido de Godzilla/Cascão. Serviria pra aterrorizar aqui, com certeza. Não vou mentir que pensando nisso cogitei até se devia deixar o celular em mãos pra filmar essa versão nacional de Cloverfield meets Maurício de Souza. Enfim, tempo seco assim pra mim é uma montanha de problemas. Meu nariz sangra, ataca até uma sinusite, trazendo aquela dor de cabeça de rachar, e a garganta fica uma porcaria se não estiver dando constantes goles em uma garrafa d’água. Foi até engraçado, eu com a garganta ruim, meio rouco e ainda com aquela voz de quem tá gripado, alguém acabou perguntando o que mais eu tinha mudado, já que perceberam “do cabelo curto à voz.” You just got punk’d! Sou o irmão gêmeo do Benji*, Carlos. Prazer.

Aquela lei do tempo aqui não funciona tão bem assim. Se eu não gostar do tempo, ele não muda sempre em seis horas. Nem em doze. Nem em um dia, nem a cada dois. São exceções demais pra ser uma regra.

Tenho certeza que queria falar de mais alguma coisa, no mínimo. Não vou ficar duas horas encarando isso aqui na esperança de que eu vá lembrar magicamente. Quem sabe eu acabo lembrando. Só sei que ainda preciso colocar aqui algumas merdas que eu escrevi. You know, ficção. Passatempo.

Já disse que reviso meus posts sempre depois de terminar? Ainda mais pela mania que tenho de mudar uma coisa aqui ou ali e deixar a concordância completamente de lado. Praticamente capítulos de um livro.

De uma história particularmente chata.

Ainda tenho um rascunho de post salvo, mas tenho algumas coisas pra fazer hoje.
Enquanto pensava nas tags acabei me lembrando de dois sites que eu tinha favoritado na cabeça.

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(*) Nome fictício adotado pra proteger minha identidade, uma vez que mesmo que eu não importe em me identificar, sempre quis fazer isso aí. Done.

three

August 21, 2010

Ontem saí pra resolver uns negócios no final da tarde. Até aí, aconteceu o de sempre. Não é como se personagens de histórias não fizessem suas necessidades sempre, tomassem banho, escovassem os dentes, é que não se conta toda hora. E essa é a minha história. Me arrumei, peguei o que eu tinha que levar e saí de casa. Já não fazia mais o frio da tarde, dois dias e já faz falta, aliás. Enfim, saí de blusa porque não sabia se ia voltar de noite ou antes. O metrô tava vazio ainda, visto que ainda não era o finzinho da tarde. Chegando perto da minha parada, o vagão não tava cheio, mas já estava sem assentos vagos, e um cara sentou do meu lado. A namorada dele ficou em pé ali conversando com ele, eu tinha visto os dois de relance numa porta. Levantei, disse pra ela sentar e fui pra porta. Fiz a baldeação, quase perdi meu rabo na porta com o pulo de raposa. Não entendi o porque da minha própria pressa, mas também nem prestei atenção no que eu tava fazendo.

Insira onomatopeias de trilhos aqui e daquele barulho que impede quem é semi-surdo, assim como eu, de conversar. Desci, andei pra caralho por ter entrado no primeiro vagão. É engraçado quando isso acontece, sempre que eu chego na escada rolante, outro trem já chegou. Fui até o prédio da faculdade, peguei o elevador. Não sabia que a secretaria era embaixo do térreo, e o elevador tava subindo. Distraído, desci no último andar e fiquei vagando até me dar conta de que não era ali. O elevador demorou horas pra subir, e eu peguei um daqueles que faz barulhos, ameaçando cair. É divertido quando tu tá sozinho, no joke. Chegando na secretaria, vazia, sentei direto em uma cadeira. Me disseram pra pegar a senha. É. E isso tudo pra amassarem o papel e jogarem fora, deve ser alguma espécie de diversão sádica de quem fica ali. Me deram um papel e dez dias de espera, fui embora de mãos vazias.

E depois de ter contado tudo isso, é agora que chego ao ponto que eu realmente queria chegar. Coloquei os fones de ouvido ao sair do prédio e fui abordado na metade do caminho de volta ao metrô por um cara que me parecia ser boliviano. Pensei ‘eh, what the hell’, tirei os fones e ouvi o que o cidadão tinha a dizer. Tava me sentindo um pouco mal por outro acontecimento do dia. Ele começou a falar um português enrolado, colocou dois livros finos nas minhas mãos e foi falando. Ele tinha os olhos meio puxados, então quando eu vi que um deles era de yoga, resolvi perguntar daonde o cara era. Lima, Peru. Esqueci o nome dele, e não vou usar de estereótipos aqui. Mas não era Juan, nem Pablo. Eu com os livros na mão tava quase indo embora nesse ponto, e foi aí que ele começou a pedir uma doação por eles e tal, o que eu pudesse, só pra ajudar a imprimir. Isso acontece comigo sempre, eu sempre tô no mundo da lua quando alguém me joga livros ou revistas na mão, e uma vez na frente da faculdade eu fui andando embora mesmo com eles. O infeliz teve que me parar. É meio que reflexivo, visto que às vezes tu não consegue evitar pegar um panfleto na rua.

Era isso aí. Só compartilhando, é bom saber se mais alguém vive tanto no mundo da lua quanto eu. O fim abrupto da história sem nada realmente emocionante provavelmente vai desapontar quem leu tanto quanto eu desapontei o peruano ao não comprar os livros, eu sei.